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September 13 A ópera apoteótica do profeta operárioWladimir Cazé
Toni Couto
Entre luzes chapadas e microfonias ensurdecedoras, surge o profeta Tom Zé, com sua inteligência verbal e sua extravagância tropicalista (sim), na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, numa tarde de domingo, ao terceiro dia de setembro do ano de 2006. O senhor gabiru, de quase 70 anos, começa a bradar pelo microfone suas ladainhas para jovens cabeçarati, rastafaris culturais e remanescentes da 5ª Parada Gay de Salvador. A banda aparece e a primeira música do show é "2001", música gravada pelo menestrel de Irará em 1968, em parceria com Os Mutantes.
Tom Zé diz:
- "Pára tudo. Agora vamos tocar a opereta-pagode. Esse show é do meu CD do ano passado: ‘Estudando o pagode: na opereta segrega mulher e amor’. Resumo da história: o homem está desanimado, andando maltrapilho, macambúzio. A mulher ficou independente, muito exigente. É por isso que o homem aqui está vestido de mendigo."
Ele aponta para Jarbas Mariz (percussão, cavaquinho). Fala:
- "Tá vendo esse sujeito? Tem cabimento um músico se vestir assim, um marmanjo desse?"
Justamente por nada ter cabimento é que o “mendigo” Tom Zé está ali, um brasileiro que o povo conhece bem! Entretanto, é curioso que a pobreza só tenha conquistado alguma apreciação no universo cult através de um porta-voz que precisou recomeçar sua carreira nos Estados Unidos para se realizar profissionalmente enquanto autêntico compositor maldito da música popular brasileira.
Seguem-se as harmonias tensas e aparentemente caótico-dissonantes que o ex-aluno de Koellroutter e de Smetak, na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, criou para as composições da opereta-pagode. Canções difíceis, onde diversos ritmos de samba comparecem radiografados pelos sismógrafos da vanguarda e do repentismo atemporal. Entreouvimos estilhaços de samba-de-roda, samba-canção, samba-enredo e bossa nova (citados na letra Antonio Carlos Jobim, Baden Powell, Vinicius de Moraes, Menescal, Nara Leão).
Ele aponta para Luanda (vocal) e Cristina Carneiro (voz, teclados). Fala:
- "A mulher, não! A mulher aqui na ópera está vestida de operária!"
O argumento encenado prossegue, o homem propõe um tratado de paz com a mulher, para que vivam juntos. Brigam de novo. Nova reconciliação. Segue o baile.
A partir de um momento que não conseguimos lembrar, Tom Zé dá início a uma seqüência de canções do disco "Estudando o samba" (1976), reconstruído em comemoração a seu aniversário de 30 anos: "Hein?" (Tom Zé/Vicente Barreto), "Tô" (Tom Zé/Elton Medeiros), etc.
- "Em outubro deste ano, eu completo 70 anos! Vamos comemorar!"
A saga melódico-sentimental continua com um belo apanhado de composições conhecidas no universo cult. Pelo menos uma delas foi a pedido do público, a gritos e palmas: "Parque Industrial" (hino tropicalista gravado duas vezes em 1968: em "Tom Zé", seu primeiro álbum individual, e no antológico "Tropicália ou Panis et circensis", com Gal, Caetano, Gil, Duprat, Mutantes, Nara et alli.):
- "Retocai o céu de anil
Bandeirolas no cordão
Grande festa em toda a nação.
Despertai com orações
O avanço industrial
Vem trazer nossa redenção.
Tem garota-propaganda
Aeromoça e ternura no cartaz,
(...)
(...)
Porque é made, made, made, made in Brazil!!!."
Tom Zé de novo:
- "O Ministro da Cultura Gilberto Gil me convidou para fazer um discurso na ONU e eu vou fazê-lo aqui, para ver se vocês aprovam” - anunciou o velho profeta, às vésperas das eleições, prestes a rasgar seu terno de velcro durante a apresentação da música-discurso ‘Politicar’, do disco ‘Com defeito de fabricação’ (1998).
Tom Zé de novo:
- "Pára, que essa música já tá chata! Vamos tocar outra!”
Mais do que maestro do espetáculo, o comandante do palco se anima mais ainda e lança um desafio para o público:
- "Todo mundo diz que baiano é inteligente! Quero ver agora! Vamos compor uma estrofe AGORA! Se preparem!"
Na velha tradição do improviso!!?? Nos perguntamos, já arriscando adivinhar o tema musical que ele escolheria para pôr mote. Era... como é mesmo o nome? “Jimmy renda-se”: “Lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá láááá!...” Que letra será que ele vai cantar em cima?...
A tarde parecia não ter fim, consideradas a quantidade de bis concedidos e a disposição física e criativa do artista, que gesticulava e se movimentava sem parar. Mas promessas ficaram não-cumpridas, a música que ele propunha que criássemos coletivamente naquele exato momento teve que ser adiada, porque a produção avisou que o horário estava encerrado, encerrado, encerrado...
A galera ficou com um gostinho de saudade na saliva, misturado com a realização de ter presenciado uma apoteose rara.
Vale ressaltar que, para participar do evento, foi necessário doar um livro e que Tom Zé fez questão de fazer sua doação no palco, entregando o seu “Tropicalista lenta luta” (publicado em 2003) – por sinal, uma ótima dica de leitura para quem quiser sentir a presença do artista durante mais algum tempo. August 11 A linguagem invisívelPor qual idioma passa o teu silêncio? A língua sibila solta entre as cáries esquecidas ou vibra instantes pela glote escura? O meu silêncio é tonal e os ouvidos não percebem as linhas emitidas. Os teus ouvidos não percebem as palavras invisíveis, a minha boca escancara-se num grito ensaiado, mas os dentes bloqueiam o ar corrompido. A palavra falseada, um idioma forjado. Em que idioma esconde-se teu poema? As mínimas metonímias grudam ao céu da boca, lêem o fulano morto, escancaram o escape sintático. Azedo, salgado. O amargo está no fundo da língua, no escuro da boca, o doce aponta a sorte da palavra empregada. O silêncio... o silêncio fala por todos, transita entre olhos, rostos e mãos. Por qual língua perpassa o teu silêncio?
Alexandre Coutinho. August 06 FLIP AMADIANAJá leu alguma obra de Jorge Amado, gosta dele? A FLIP, Festa Literária Internacional de Parati, que acontece este ano de 9 a 13/08, irá rediscutir os juízos de valor imputados à obra amadiana. Há quem o julgue apelativo, há quem goste da força política presente nas primeiras obras. Eu não pude lembrar de outra coisa, além de Antonio Balduíno, quando subi a Ladeira da Montanha pela primeira vez e, acredite, Salvador nunca mais foi a mesma para mim. Tudo bem, pode ter até outros nomes que me são mais caros, mas Jorge Amado é, indubitavelmente, um grande literato e merece referenciada atenção. Sua maneira de ver e retratar os baianos, principalmente aqueles que seguem à margem, ainda reverbera até hoje. Filmes, como Cidade Baixa, deixam escapar um inconfundível arquétipo amadiano, um misterioso cheiro de alfazema e mar. Um dos autores brasileiros mais traduzido, Jorge Amado já teve seus livros publicados em torno de 50 países e continua até hoje sendo referência para quem quer entender mais as peculiaridades do povo baiano.
Para quem se interessou pela festa, acesse: www.flip.org.br . Será o "Orixá vivo", assim chamada Mª Bethânia por ele, que fará o show de abertura da Flip no dia 9 às 21:30. Da próxima eu me programo!!!!
Literatura para olhos e ouvidos.
[A.C] August 05 Do you listen to the radio on line?July 20 Superman e o disfarce perfeito.Superman e o disfarce perfeito.
E eis que surge o escolhido, o único filho enviado à terra para manter a paz e a harmonia do mundo. Aquele que daria, sim, sua vida para salvar a humanidade. Em quem você pensou, em cristo?Falo de Kal-El ou Superman, ou se preferirem, Clark Kent. O homem com o disfarce perfeito,um óculos!
Fiquei embasbacado ao perceber a falta de perspicácia de pessoas tão perspicazes. Em todo o momento o superman está na televisão, é manchete do jornal onde ele próprio trabalha, fica lado a lado com sua própria imagem e... nada, ninguém percebe nada!!! Só para se ter uma idéia, Clark, depois de cinco anos viajando, reaparece na redação do planeta diário, enquanto o superman, depois de cinco anos desaparecido, reaparece nos céus da cidade. Quanta coincidência, não?!
Devo admitir que há algumas cenas cheias de adrenalina e que, certamente, obtiveram um grande furor da platéia a cada demonstração de força do Super-homem. Os momentos em que Clark relembra sua infância na fazenda, descobrindo-se e aperfeiçoando suas potências, também são deliciosos de serem acompanhados. A ironia é perceber que o Super-homem é cristão. Venhamos e convenhamos, ninguém agüenta mais este papo de pai que se torna filho e filho que se torna pai. Estaria o espírito santo voando com uma cueca por cima da roupa?
A melhor coisa a fazer é deixar estas questões esquecidas e curtir o filme, que está cheio de bons lances. Lex Luthor, com o ótimo Kevin Spacey, está em sua melhor forma e quase faz do mundo sua maquete. Lex, em parte, desvenda o mistério dos cristais e tenta criar um continente todo seu. Contei tudo?! Não se engane, é o Lex mais poderoso que já apareceu.
O filme, dirigido por Brian Singer (que foi o diretor dos dois primeiros X-Men), tem algumas surpresas que não contarei aqui. Para quem acompanhou a Liga da justiça e leu muitos HQ´s (isso sem contar o Superboy e Lois e Clark), tenho a certeza que vão se divertir com os vôos hight techs do filme. Para quem acompanha esporadicamente histórias de super-heróis, o divertimento é garantido, já que Superman Returns não deixa de ser um mero filme de entretenimento. Para aqueles que estalam lábios diante da postura politicamente-correta de Kal-El, torçam para que ele encontre mais Kriptonitas em seu caminho - se isso for possível.
Ao assistirmos o filme, há a certeza de que ele voltou no momento mais oportuno, em sua melhor forma, para combater qualquer tipo de ameaça iminente e manter Metrópoles isenta dos vilões, dos meteoros, dos carecas. Hoje e amanhã, Superman.
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